sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Quarteto

Asas brancas iluminadas
voam firmes sem fronteiras
guiam almas em manadas
cochichando sem asneiras.

"Sou o Amor, uno casais."
"Sou a Dor, venho depois."
"Sou o Perdão, sou forte demais."
"Sou a Morte, renasço-os depois."

-Bruno Agostta

Pós Noite

A negra noite que envolve
a rubra lua de sangue
as estrelas então devolvem
as águas do velho mangue.

Os rios envoltos na penumbra
tristemente acalantam
os grilos que não mais cantam
me surge o dever que cumpra.

O dia a raiar cinzento
entristecido está sendo
calmo, simples e poeirento
já não mais dorme ao relento.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O que é ser jovem, por um jovem.

     Ser jovem é envelhecer sem crescer, viver a vida, enfrentar problemas. Ser jovem é rir das desgraças dos outros mas depois ajudá-los a superar. Ser jovem é correr feito louco e disfarçar quando vir alguém. É rir alto nos transportes públicos e cantar desafinado na rua. Ser jovem é ter milhões de amigos e ter um tempo para cada um deles. É ter clubes diversos e estilos loucos. Ser jovem é criar a sua tribo, sorrir para o inimigo e ganhar a "batalha". Ser jovem é ir para festas e ter consciência de não sair de lá bêbado. É ter liberdade de expor suas ideias e respeitar as dos outros. Ser jovem é ler romances ouvindo Rock'n'roll e chorar a morte dos personagens. É andar na rua ao ritmo de Reggae e sambar na calçada. Ser jovem é ter romances em cemitérios e sorrir ao ver que É jovem. É morrer de medo do escuro e não admitir. Ser jovem é criar sua própria religião sem medo de preconceitos. É fazer "pacotão" em aniversários, criar apelidos e nomes. Por fim, ser jovem é ser diferente, louco e estranho, viver a vida a cada segundo por que nós jovens somos a própria personificação dela! Somos jovens e alguns, como eu, pretendem ser até que a morte nos separe da eterna juventude.

~Bruno Agostta

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Agora eu tomo café de um jeito diferente..


     Voltando de viagem, olhando pela janela do ônibus, ouvindo uma estação de rádio que sempre tocava todas as musicas duas vezes, eu me perguntava: “porque sempre toca duas vezes?” além dessa pergunta sem resposta, eu me perguntava o porquê de eu nunca ter reparado na beleza do céu, na beleza da natureza que, naquele instante, se apresentava diante de mim, ou será que ela nunca esteve assim antes? Acho que esteve ela sempre foi perfeita, mas só me fez percebê-la depois de anos, de centenas de experiências, de milhares de pessoas envolvidas na minha existência, depois de alguns livros e de duas dezenas de frases reveladoras, só me fez percebê-la depois que a maturidade me tivesse batido à porta. Num instante, me veio à mente “eu poderia não estar aqui hoje!” e aos olhos me vieram as lágrimas.
Três anos atrás eu estava em casa, jogando bola com uns amigos, era só o que eu fazia, não estudava, não lia um livro sequer, só jogava bola, só. Eu não tinha sentimentos, lembro bem disto, eu era extremamente contínua, nada me deixava triste, eu havia-me autoprogramado para não demonstrar nenhum tipo de tristeza, eu só sorria e ria não que essas fossem falsas ações, mas eu me limitava a elas, pra mim, não existia nenhum outro tipo de sentimento, ou existia, mas nada me atingia. Então, num dia ensolarado, minha mãe comunicou-me: “tu fará a prova para entrar no Colégio Tiradentes da Brigada Militar, sem mais!”.
     Neste momento lembrei-me de que estava dentro do ônibus, e que faríamos uma parada. Todos desceram, eu fiquei. Relembrei minha reação ao saber da tal prova, eu simplesmente estava decidida a não fazê-la, mas fui obrigada. Sem estudar, sem nem revisar nada, fui pra sala onde seria realizado o exame de aprovação para ingressar no CT. Depois de fazer algumas questões, comecei a olhar pela janela da sala, passavam alguns carros, e eu, pouquíssimo interessada em permanecer no recinto, comecei a reparar nas placas dos carros e marcar as letras correspondentes direto no meu caderno de respostas, em menos de quatro minutos estava tudo feito!
Agora os passageiros retornavam para dentro do ônibus, um menino de, no máximo, quatro anos, me ofereceu balas do Capitão América, eu recusei, agradeci, e sorri, sorri durante um bom tempo... Aí, lembrei-me do meu desespero ao saber que tinha sido aprovada no exame do Colégio, e minhas duas amigas, que se mataram estudando, não atingiram a média. A vida começou a mostrar-se injusta. Havia ainda o teste físico, mas pra quem jogou futebol desde que aprendeu a andar, seria humilhação ser reprovada, não teve jeito, o que eu mais temia na vida, era inevitável, eu teria que mudar de cidade!
     Tá bom, eu vou então. Fui. E tinha a tal “semana de adaptação” quando eu cheguei, pra aprender a fazer sentido e descansar, por que é um colégio militar e tudo mais. Eu amava militarismo, desde criancinha, por isso simpatizei logo de cara com o colégio! E no primeiro dia dessa semana, eu vi uma menina baixinha, um sorriso lindo, ar de tímida, mas brincalhona com os amigos, ela tava em pé no canto do auditório onde estávamos ela e mais três colegas dela. Eu não sabia por que, mas não consegui parar de observá-la por um só minuto. Na quarta feira, eu já não pensava em outra coisa, era ela e nada mais. No colégio, no meu quarto, no banheiro, nas ruas, na cozinha, no sofá, em todos os cantos, era ela a dona da minha mente. E eu nem sabia o nome dela. E o problema maior não era esse, o problema é que era ELA, não era ele, era ELA.            Desde então, comecei a corroer-me por dentro, sem saber o que fazer, algo estava errado, eu não poderia amar uma menina!
     O ônibus freou e eu senti o cinto apertar-me a bexiga, quase fiz nas calças, resolvi dar uma passadinha do banheiro. Eita lugarzinho apertado, mas ok deu tudo certo, voltei para a poltrona e a pergunta ressurgiu “mas por que sempre toca duas vezes?”... Então revivi o momento em que a primeira menina que possuiu meu coração, se apresentou para a turma. Jéssica é o nome dela, “Jéssica? Nome de puta!”, eu pensei. Eu só conhecia putas com esse nome, pra mim, todas as Jéssicas andavam de minissaia e dançavam funk até o chão. Mas essa Jéssica me fez mudar de conceito. Passei o ano inteiro de olho nela, sabia de tudo que ela gostava: músicas, livros, roupas, time, cores, programas, comidas... E ela sabia o meu nome, a minha turma, e me curtia até, me considerava amiga dela. Por mim tava tudo bem, eu amava ela de um jeito diferente, nunca pensei em beijá-la, NUNCA, mas eu daria a vida por ela, sem pensar uma só vez! E nesse ano cheio de novidades, eu fiz muita coisa nova, como por exemplo, estudar J, também conheci uma guria incrível, que me mostrou o meu melhor lado, o lado que eu sou de verdade. Eu saí demais naquele ano também, fiquei com muita gente, meninos e meninas, aprendi coisas novas e tudo mais, rodei de ano. Morri chorando quando a Jéssica saiu do colégio.
Começou 2011. Entrei na sala da turma 13 e pensei “caralho, só mangolão aqui ¬¬”, mas ok fui né. Daí eu vi uma mina altona passando pela minha classe, cara de marrenta, sentou um pouco atrás de mim. E senti que meu coração se expandiu no instante em que olhei pra ela, pensei comigo “TO FODIDA”. Decidi não olhar mais pra ela, eu sabia que ia dar merda, que eu ia me apaixonar e acabar me ferrando, só que o espelho de classe me colocou do ladinho dela, que lindo.
      Agora bati com a testa na poltrona da frente, voltei do banheiro e esqueci-me de pôr cinto de segurança, nunca mais esqueço! Com isso lembrei-me da primeira história que essa mina me contou, ela me disse que, há um mês, tava passando de carro ali perto do colégio, e alguém jogou uma pedra na janela do carro, os cacos cortaram a cabeça dela, depois de me mostrar um dos machucados, a minha extrema preocupação revelou: eu estava perdidamente apaixonada pela menina com cara de bicho preguiça! Ela fodeu minha vida, isso é verdade, fez eu me sentir a pior pessoa existente, mas me fez crescer de um jeito inimaginável, ela nunca me disse um não, e nunca me disse um sim, ela me torturou por muito tempo, eu fazia tudo por ela, levava em casa quando a gente jogava até tarde e ela tinha medo de ir sozinha, e pra mim não importava se ela morava na zona sul e eu na norte, eu levava. Eu emprestava casaco, celular, dinheiro, paciência, eu tava sempre ali pra tudo, dando apoio, atenção, conforto, segurança, e dando amor, gastando amor, jogando fora, ou não, seria meio injusto falar isso, ela deve ter pegado um pouquinho dele, só pra não parecer a vilã da história, esse era o jogo. Mas a culpa foi minha! Que bela idealização que eu fiz dela hein, parabéns pra mim, eu transformei a Chiquinha em princesa da Disney! Daí eu passei de ano, passei achando que quem merecia o mérito era ela, eu não reparei que, durante todo o ano, eu a ajudei de todo modo que pude enquanto eu era quem precisava de ajuda.
Mas que merda, por que isso toca duas vezes!? Nas musicas legais até que tá, mas tem as chatas também, ugh. E começou 2012 na minha memória daí! Que iniciozinho difícil hein, Aimê que o diga! Essa guria é uma das pessoas que não quero me afastar jamais, mesmo sabendo que isso é inevitável, quero que seja apenas fisicamente, é inacreditável tudo que ela fez por mim, tenho certeza de que nem ela mesma sabe, pelo menos não na intensidade devida.
     E se eu te disser que nem lembro exatamente os motivos pelos quais o inicio desse ano foi o pior período na minha vida? Pois é, o pior! E se eu te disser também, que o inicio desse ano foi o melhor acontecimento da minha vida? Pois é, o melhor! Explicarei calma...
     Como eu comentei ali, não lembro bem os motivos, mas até julho mais ou menos, até a viagem da grandona, eu tava a ponto de me matar, triste né?! Uma pessoa tão nova pensando nisso, mas é aceitável, eu não tinha nem um pingo da consciência que tenho hoje. Pois bem, eu enfrentava a rejeição da minha mãe e do meu pai, a rejeição da pessoa que eu amava, e a pior de todas as rejeições, a própria, eu não me queria por perto, eu não suportava me olhar no espelho de manhã, não suportava me mover, eu não queria conviver comigo mesma, e isso, me causou um total desequilíbrio em vários aspectos, tais como, intelectual, mental, físico, harmônico e espiritual. Não agradando a mim mesma, eram inúteis as palavras dos amigos, pra mim, ninguém me queria por perto, sendo assim, um dos maiores problemas diários, era levantar da cama pela manhã, nem nas manhãs mais frias dos invernos gaúchos, eu senti tanta dificuldade em erguer meu corpo e deixar as cobertas. Nada me fazia sorrir, a guria brincalhona e alegre de sempre, havia saído sem data pra voltar, nem um sorriso sequer apareceu no meu rosto por cinco meses, é imensurável a dor e o descontentamento contigo mesmo que é necessário para alguém chegar ao ponto de não querer mais existir, no meu caso, não achei que fosse essa a saída, eu apenas direcionei minha dor de um modo artificial, extremamente artificial, conduzi-a para um ponto de mim, onde eu pudesse controlá-la. Explicadas as cicatrizes no meu braço esquerdo.
“Soledade”, disse o motorista, a ultima parada antes de chegar a POA, mas ainda têm umas duas horas de viagem. Continuo olhando pela janela com os olhos rasos d’água de tempo em tempo, mas as lágrimas vinham por causa do céu mesmo, ou vinham do meu inconsciente, da minha percepção, sei lá, é mágico o modo como nada é igual, o modo como as coisas mudam em período linear, tal como as nuvens no céu, um segundo que eu tirasse os olhos delas, e elas mudavam de forma, de comprimento, de largura, e não voltavam a ser como antes, jamais. Eu nunca tinha me emocionado assim...
Então era julho de 2012 né?! Tá, ela tava indo viajar, e dois dias antes eu tinha dito que nunca mais queria falar com ela, já tava decidida. Orgulhosa que é, ela mandou uma mensagem no facebook, dizia que tudo bem, ia fazer minha vontade, como eu, tava cansada de tantas brigas, me xingou, disse que me amava, me deu tchau, disse pra eu não aparecer no aeroporto dali dois dias porque ela nem ia me olhar na cara. Dois dias depois eu tava lá no aeroporto, cheguei duas horas antes dela, a vi entrando pela porta principal, não me contive, comecei a chorar, ela não me viu. Mas depois me acalmei e fui dar oi, beijei o rosto da mãe dela, querida a tia, pra ela eu só acenei rapidamente, mesmo nós estando a menos de um metro uma da outra, dei oi pra amiga dela, amiga minha também, ia viajar com ela pra Disney. Tava tudo tranquilo, pelo menos ela não me xingou, até olhou pra mim, eu tava no lucro. Quatro horas depois, só faltavam vinte minutos pra sair o voo, já estavam indo pro avião, e eu ali, puta aflita, dei as costas pra elas, caralho! Voltei, “posso te dar um abraço?”, ela me olhou e não disse nada “dá um abraço na guria, porra, ela tá aqui há mais de seis horas!” disse a Vitória, indignada! Daí ela me abraçou, disse que eu tinha o tempo da viagem dela pra pensar em nós, eu tinha 15 dias pra decidir sobre a gente, eu só fiz que sim com a cabeça, ela pegou a mala e entrou no avião. Chorei por três dias, não pensei em mais nada, tive pena do meu braço!
Pela primeira vez, ali da janela do ônibus, vi as nuvens do jeito que sempre as desenhei, estranho, por que sempre desenhei daquele jeito se nunca as tinha visto assim? Influência externa né, é o meio se envolvendo diretamente, mas isso é em tudo, e é desde criança, coisa séria isso, e mais sério é essa musica que toca duas vezes, AAAAAAAHH! Mas e lembrança da minha redenção tomou conta de mim, foi quando comecei a falar com a Aimê, Aimê Nobrega, sempre achei esse tome elegante, sempre a achei muito interessante, diferente, até meio estranha, mas indagadora, me despertou curiosidade desde o meu primeiro olhar direcionado à ela. Quando começamos a conversar, MEU DEUS, de onde surgiu esse ser? Muito certo que é de outro planeta, a guria veio com uns papos noiados, me falava de livros, documentários, revistas, filmes então, era brejo, e eu, no inicio, só escutava, com cara de “aham, prossiga...” a gente já se fala um pouco antes da viagem, mas foi nas duas semanas de pausa da guria que eu considerava tudo, que a Aimê ligou a luz da minha mente. Convidou-me pra estudar, ok, a única coisa que não fizemos foi isso. Sentadas no encosto de um banco de praça, falamos sobre aliens, estrelas cadentes, medicamentos manipulados pelos maiorais, hierarquias mundiais, ilusão em massa e lá vai pedrada. Ela fumou uma maconha com uns caras que conhecemos ali mesmo, eu só olhei. Fomos pra casa de um deles, “o que eu to fazendo aqui, puta merda!” eu pensava, mas os caras eram gente fina, assistimos a um filme lá, tinha um trovando ela, e outro me trovando, fiquei com esse ultimo, mas não por cair no papinho dele, fiquei por mim, eu ainda tava com certas dúvidas. Valeu a pena, foi o ultimo homem com quem partilhei saliva, eu gosto de meninas mesmo. Esse devia ser o quinto dia de viagem da dita cuja, e eu ainda não tinha parado pra pensar sobre a gente, mas azar, eu tava aproveitando, tava lendo coisas novas, assistindo coisas novas, eu tinha acabado de ser apresentada à um mundo novo, me deixa desfrutar, ou ficar louca, tudo começou aqui.   Desde então não parei mais, eu parecia um funil de informações. Do nada, no meio do grupo de amigos, eu largava umas perguntas sobre coisas nada a ver pra eles, mas que pra mim eram fascinantes, tipo “por que, às vezes, a lua aparece enquanto o sol ainda não foi embora??” eles já nem me aguentavam mais, mas se sentiam felizes, meu braço cicatrizado era o suficiente pra eles. Pela primeira vez, comecei a notar o amor que me rodeava. Daí né, ela voltou, acho que não foi muito bom pra ela depois de me conhecer de novo.   Ela chegou dos Estados Unidos cheia de fotos e lembrancinhas pros amigos, até pra mim ela trouxe, awn querida, mas me viu por fora, pensando que ainda sabia quem eu era, que choque hen! Pow, um tapa na cara quando eu abri a boca e dei um banho nela, e foi sem querer, eu ainda tava no brilho das minhas infinitas descobertas, comecei a falar e não parei, nem reparei que ela tava ficando meio triste em meio a tantas coisas materiais que ela tinha adquirido, e eu , que quase não sai de casa, com tanta coisa que jamais vão me tirar, e nem com toda a minha falta de atenção, perderei um dia, mas que cousa.
     E já devia ser a vigésima musica que tocava pela segunda vez, nesse ponto das minhas lembranças eu pensei melhor, “já sei por que elas tocam duas vezes!!”. Antes da Aimê, antes das coisas que eu comecei a ver e perceber, antes de tudo, eu reli um livro que, há quatro anos, eu havia lido, naquela época ele foi legalzinho até, mas em julho de 2012, ele salvou minha vida... Por que as coisas mudam! Eu vou entender coisas que, da primeira vez que ouvi, eu não tinha percebido, vou interpretar de um modo mais completo, ou talvez, de um modo extremamente diferente, mas que também tem plena coerência. É bom rever as coisas, uma primeira olhada nunca é o suficiente, a gente pode se enganar...
     Mas daí, vou explicar que raio eu to fazendo dentro de um ônibus há quase sete horas né! Então, nesse incrível ano de 2012, o qual só foi incrível por que determinados carros passaram na janela da minha sala dois anos atrás, teve a quarta edição (se não me engano) das olimpíadas Tiradentes, e eu, esportista que sou, fui lá pra Santa Maria dar uma jogada. E lá, eu revi uma guria do CT de Santo Ângelo (ênfase no Revi), muito demais ela, inclusive, eu revi por que a gente já tinha se conhecido no ano anterior, em Passo Fundo, isso por que eu peguei um ônibus de linha que estragou e me fez chegar uma hora e meia, atrasada, além do atraso normal que eu já tinha adquirido quando perdi o ônibus do colégio em POA. Tá, daí nos vimos de novo e pá, e eu já curtia ela há um ano, ela conseguiu me chamar a atenção em um momento que eu só tinha olhos pra umazinha. Mas eu pensei que, enquanto eu lembrava cada palavra que a gente tinha conversado, ela não sabia nem mais meu nome, mas me enganei, era a única coisa que ela se lembrava de mim, ah tá bom, pelo menos o nome, conversamos um pouco lá, ela já começou a me corromper me fazendo tomar refrigerante, “só por ti mesmo”, eu pensava...
Eu ficava cuidando ela por lá, a vi correr, vi de grude com uma amiga lá, não gostei muito -.- vi ela jogando futebol, mas isso eu lembrava do ano passado, joga muito essa menina, daí vi ela se quebrando, quase chorei com ela, fiquei tristonha, mas quando elas ganharam o ouro eu fui lá pular com elas, mesmo com os pés ferrados, azar... Deu as olimpíadas, voltei pra POA, adicionei ela no face, e que merda, descobri que tinha namorada, daí liguei um ~foda-se a vida~  e contei que gostava dela. Sei lá, ela ficou surpresa e nem sabia direito o que falar, só sei que umas duas semanas depois ela tinha acabado com a tal namorada e mais umas duas depois, eu tinha pedido pra namorar com ela, e ela aceitado mas o tri é que antes disso, a gente já tinha pedido uma à outra em casamento, mas ok. Ela resolveu me chamar pra formatura dela um dia, eu queria demais ir lá pra ver ela e poder fazê-la acreditar no meu amor, por que eu tinha quase certeza de que ela achava que eu tava de zoa, e eu sabia que, por mais que ela acreditasse no amor que eu sentia, ela não me amava nem 1/3 do que eu amava ela, e eu queria mudar isso. Mas eu não tinha a mínima noção de como ir pra lá. Eu e a Aimê íamos nos vestir de palhaças e ir para o semáforo pedir dinheiro, era essa a saída.
     E enquanto eu me encantava ainda mais com as coisas que essa coloninha me dizia, com as coisas que ela postava no tumblr dela, com as fotos dela no face, o tempo passava e eu ficava mais perdidamente apaixonada por ela e o meu coração era esmagado cada vez mais pela incerteza de tudo isso. Mas, num dia por aí, eu ganhei uns convites pra inauguração da arena, meu, vendi! Ganhei o dinheiro de uma passagem e mais um pouco, daí enganei mãe, pai, irmã, tia, dinda, menti até não poder mais e me mandei pra Santo Ângelo, fui né, toda cagada, mas fui. A guria ficava dizendo que sou inteligente e nhé nhé, capaz de eu chegar lá e ela me mandar dar meia volta, vá que.
     Mas daí eu cheguei à rodoviária e vi uma formiga com as mãos nos bolsos, com os ombros levantados e a cabeça entre eles, camiseta do colégio e bermuda curtinha, não sei como não morri, fui lá dar um abraço, tive uma leve impressão de que ela ia me dar um beijo e eu desviei, mas pode ter sido só impressão. Daí eu já cheguei sendo cavala com a porta do taxi, foi sem querer k. Eu tava morrendo de vergonha, puta merda, ainda bem que a Li tava junto. Mas depois que estávamos sozinhas eu não sabia o que fazer, foi ela que disse “vem aqui” e me beijou primeiro, foi só o primeiro de vários momentos, com ela, que fizeram meu ano ainda mais surpreendente e histórico na minha vida... Eu já não tava mais com tanta vergonha. Lá na Laura, até fui meio safada durante o Jackass. Mas foi observando ela durante o dia, a vendo fazer as coisas, que percebi o quão sortuda eu sou, o quão delicado é o andar das nossas vidas, vi a importância de cada coisa minúscula estar em seu devido lugar, ela é o ser mais fantástico que já conheci, impossível não sorrir na companhia dela, é contagiante. Ela me fez ver que as coisas velem a pena, partilhou muitas ideias comigo, me mostrou outros pontos de vista sobre alguns assuntos e nem se importou por que eu não sei abrir um sutiã. Levamos um cagaço na sala que deuzulivre, mas nas noites calmas, onde o silencio era obrigatório pra não acordar a mana que dormia logo ali, a minha vontade era de não desgrudar meu corpo do dela, tampouco minha boca dos pequenos lábios dela... Eu descobri também que, de gata borralheira, que cozinha, passa, varre e limpa os pelos da gata, a minha pequena se transforma em Cinderela, era a mais esplendorosa da tão esperada festa de formatura, eu simplesmente não conseguia tirar os olhos daquela obra de arte. Era a natureza mostrando-se perfeita mais uma vez.
     Mas tenho que confessar, na noite da festa, me deu uma dor súbita, foi um vazio imenso no peito, eu senti como se tivesse perdido ela... Foi depois de saber que a Liara tava em dúvida sobre ser gay e tal, eu não consegui evitar, fiquei mal mesmo, daí saí de perto pra não perceberem, foi a única vez que gostei da menina-homem ter vindo tirar meu amor pra dançar, daí pude sair sem dar explicações... Mas me acalmei e depois voltamos pra dançar.
Essa é uma parte ainda fraca em mim, não me acho boa o suficiente, nunca, sempre acho que pode aparecer qualquer um e levar as coisas das quais eu dependo e, nesse caso, não era qualquer um.
     Mas deixei isso de lado, até comentei uma ou duas vezes com ela, mas tentei não dar muita atenção.  Aproveitamos os dias restantes e o tempo passava rápido demais, esse filho da puta. Quando vi, já tava arrumando minha mala pra voltar, e ela me deu um coração de pelúcia, me arrependi de não ter deixado minha camiseta verde com ela. Indo pra rodoviária, tudo passava pela minha cabeça confusa, as pessoas incríveis que conheci, os lugares que fomos, o tanto que caminhamos, os beijos na janela, do café que ela me ensinou como faz de verdade, o picolé de morango que era melhor que o de uva, as piadas do padrasto dela, o tererê e a carne, as brincadeiras que a gente tinha a qualquer momento e o cheiro dela na minha camisa. Enquanto isso, eu pegava na mão dela, eu não queria soltar nunca mais... Chegamos na rodoviária, o coração foi apertando ainda mais, quando ela disse que tinha que ir, que não queria deixar  a madrasta sozinha, eu quis dar um ultimo beijo, mas não sei, tava difícil até de respirar, ela me abraçou por um tempo e saiu. Eu entrei no ônibus e chorei... Depois chorei pelas nuvens, chorei pela perfeição do equilíbrio das nossas vidas que, como as musicas daquela rádio, tem que ser reanalisadas pra não ter seu conteúdo posto fora, que, como o livro, tem que ser revista pra não ser desperdiçada, porque, afinal, a vida é como as nuvens que se fizeram presente nesta minha viagem, basta um piscar de olhos, e ela muda de direção, de sentido e de propósito, e jamais volta a sua forma original, jamais.

~Requiem

"Ferrolho!"

Sinto falta da minha infância
dos meus tempos de criança
dos "pega-pega" e das risadas
D'um tempo puro sem malícias
onde o ingênuo ser sorria,
brincava, eram tempos de alegria
repletos de beijos e de carícias.

E agora, num faz-de-conta real
sem "café-com-leite" ou "ferrolhos"
cheio de regras d'um penal
onde os pequenos, os pimpolhos
não ouvem mais o tic-tac
do reloginho nem os zig-zags...

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Perdida nas teias das memórias a minha infância se esconde dos bichos-papões quem brincam de pega-pega, num armário cheio de monstros.


~Bruno Agostta

Lairo, meu passado sátiro

Mergulho num abismo profundo
que me leva a imensidão

uma dor que sinto ao fundo
não se ergue nenhuma mão.

Os demônios do passado surgem
a minha caminhada urbana
tento me esquivar mas conseguem
ultrapassar a criatura humana

Estou de frente, tremendo,
vejo a criatura sorrindo, fria,
os dentes sujos de quem tem medo
não sei a que mal me faria.

Ela me vê com maior sim(anti)patia
me cumprimente ironicamente, fria.

Vim buscar-te, diz ela, vamos, está atrasado
mas recuso-me a ficar peso no passado

Não fujo após a decisão, eu fico
e quando seu sorriso se some
eu o abraço e lhe digo:
Fique, sem uma história, eu não sou homem.



~Bruno Agostta

Uma frase apenas...

Sozinho no escuro sem fim, perdido numa mente perturbada, um caminho não percorrido se foi, enquanto recordo-me da estrada, um par de asas esquecidas eu busco, mas o cansaço não me permite levantar, preciso ir para a casa, mas não possuo asas para voar.

~Bruno Agostta

domingo, 23 de dezembro de 2012

Sons no vazio d'um choro flautista.

Só, incessante, um som de flauta chora
perdera-se no escuro, não vê saída
e a sala outrora alba, escurecia
e o flautista não vê meios de ir embora.

Incessante e só, um som de flauta chora
emitindo suas notas na imensidão vazia
espera no escuro e não vê a hora
de ver na luz os sons que fazia.

Só, incessante, chora um som de flauta
numa espera longa e tortuosa
em busca de alguém que preencha a falta
de um som amoroso d'uma flauta melódica.

Poema baseado na obra "Ao longe os barcos de flores" de Camilo Pessanha.

~Bruno Agostta

Minh'alma borboleta

Um sentimento aprisionado
de uma alma sentimental
junto ao coração pressionado
forma um terrível mal.

Como a borboleta presa
do outro lado da janela
pousada na flor sobre a mesa
fixo o olhar nela.

Ela olha o céu na rua
e suspira (imagino eu)
a liberdade tão sua
e um coração tão meu.

Com meu pesar no peito
abro para ela a janela
e eu, com este feito
me sinto livre, como ela.

~Bruno Agostta 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

ÓDE (ódio) ao passarinho

Passarinho bonito que canta pela manhã
que abre a boca anunciando o belo dia,
custa cantar mais baixo ?
e não me acordar seu filho da mãe!

~Sir Letters

Os Morangos

     A vizinha espiou por cima do muro:
-Bom dia, seu Agenor.
-Bom dia.
-Que lindos estão estes morangos, que maravilha
-O senhor não colhe, seu Agenor ? Estão no ponto
-Não gosto de morangos.
-Que pena, aqui em casa somos todos loucos por morangos. As crianças então nem se diga. Se não colher vão apodrecer no pé, uma judiação.
-É.
-Se o senhor não se incomodasse eu colhia um pouco, já que o senhor não gosta de morangos.
-Com licença, preciso pegar o ponto na repartição.
-À vontade, seu agenor. E os morangos ?
-Não prestam para comer, tem gosto de terra.
-Pena, tão lindos !
     Saiu para a repartição. Voltou a noite. O luar batia em cheio no canteiro de morangos. Acercou-se em silencio. Estavam bonitos mesmo. De dar água na boca. Pena que não pudesse come-los.
     Suspirou fundo.
     Mariana, tão linda. Linda como uma flor. Mas tão desleixada, tão preguiçosa. Comida malfeita, roupa por lavar, pratos gordurosos. E aquele gênio! Sempre descontente, exigindo tudo o que não lhe podia dar, espezinhando-o pelo seu magro ordenado.
     Fora realmente uma gentil ideia de plantar os morangos depois que a enterrara no jardim.

-Giselda Laporta Nicolelis

~Sir Letters

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Coração Negro

...Partido ao meio e colado de novo



Três da manha e não consigo dormir,
Pensando naquela amargura
Não sei se vou, ou se te deixo ir,
Meu coração não mais aguenta esse rio de penumbra

O que sinto, ódio e amor
Antagônicas que confundem a alma de um Sonhador.
Pensando em seus olhos cor de mel.
Cujo coração tem gosto de fel.

Não sei se parto ou se deixo ir
Minha base cai ao chão
Porém, não tenho uma opinião
O tempo passa, não consigo dormir.

Aquilo que foi paixão,
Ódio, 
Emoção,
Hoje não passa de comoção

Um coração negro, partido
Sem mais emoções por aquilo que já foi tido
Opiniões formadas, odeio-o, amo-a
Antagônicas para esta dama...

Quanto quisera que fosse mentira
Mas hei de acreditar que já esteja de ida
Princesa Linda, o que começou como amizade verdadeira
Tornou-se um poço de paixão e sofrimento.

Por estas letras escrevo-lhe:
Meu grande erro foi te conhecer
Porém a grande benção foi saber o quanto você me fez viver

Se trata-se-me como te trato
Ficaria feliz por um momento
São quatro da manha e não consigo dormir
Lembro de seu sorriso, o ódio passa, vem o sofrimento.

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Espero que tenham gostado do poema. escrevi ele enquanto meus pensamentos estavam confusos e desorientados, as 3 da manhã 
 ~Sir Letters

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Fuga nº 38

Guardei minhas coisas, vou fugir
em busca de um céu e mar
juntei tudo, eu vou sair
buscar um coração para amar.

De mochila nas costas vou viajar
levo apenas a roupa de corpo,
um coração puro para te amar
e um sorriso imenso no rosto

Às montanhas ou ao mar azul
estou indo me encontrar no sol,
meu coração pertence ao sul
e ao frio debaixo do lençol.

Assim inicio minha fuga,
minha fuga da realidade
e tudo enquanto a pele enruga
eu vou à busca da verdade.


Na verdade não era pra eu ter postado essa, já que ela é/era a poesia de abertura do meu livro, tanto a poesia quanto o livro, possuem o mesmo nome... Acho que vou fazer umas alterações nele também...
 -Bruno Agostta

PS: Estou assinando as postagens porque logo logo teremos um novo autor no blog, sejam legais com eles sim?

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A garota da estante dos livros memórias


Perdidos nas teias presentes nas estantes
estão os livros de segredos escondidos,
os amores que já me foram proibidos
não serão mais como os de antes, instantes.

O tempo não para, não freia nem desanda,
ele segue o rumo mesmo na desesperança
sorrisos, infâncias, amores e lembranças
são guardados nas poeiras sem demandas.

Não os esquecemos nada irá desmentir
que o passado repleto de imagens históricas
nunca será perdido com frases retóricas
nem num presente futuro que está por vir.

Mas a garotinha meiga dona desta estante
não suporta perder nenhuma teia do passado
para ela, o futuro é o próprio fruto do instante
e o presente é o pretérito mais do que estado
guarnecido e aquecido pelos demais infantes
que habitam a mente e sua própria estante.

  Para Laíse Finatto e suas memórias mais profundas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Amiga escondida.

   Quem leu o caderno da Kzuka na zero hora sabe de quem eu falo, quem estuda no CT também, o fato é que fiquei tão honrado em ver ela lá e ter ela na minha turma por um dia que fosse, que resolvi fazer uma poesia em homenagem a ela, a "espiã" da Kzuca e da educação. Bom, Vamos ao poema!


         Amiga escondida

Um bichinho novo, estranho,
diferente dos demais
a nova ovelha do rebanho
entrou quando não se quer mais.

"Aluna" nova, farda barrasca
mas quem dera que soubessem
que a "espiã de Nebrasca"
busca o que todos merecem.

Qual teu dever bela dama?
Por que está aqui querida?
"Busco as respostas, demanda
que curará esta ferida."

A educação pede respostas
e está ela, dama, a procura,
com disfarce de aluna posta
num meio em busca a cura.

Obrigado pela visita
esperamos que consiga.
Nós, minha querida,
te acolhemos como amiga.